Guardas municipais ficam sem trabalhar por falta de farda

Cerca de 300 guardas municipais de Salvador estão sem fardamento e impedidos de atuar nas ruas

Uma situação incomum vem chamando a atenção em Salvador (BA). De acordo com informações divulgadas, pelo menos 300 guardas municipais estão impedidos de trabalhar nas ruas por falta de fardamento oficial. Apesar de continuarem recebendo seus salários normalmente, esses servidores permanecem afastados das atividades operacionais até que os uniformes sejam entregues.

Segundo estimativas da própria corporação, esse número pode chegar a 350 agentes, o que representa aproximadamente 21% do efetivo da Guarda Municipal.

Guardas permanecem na sede durante o expediente

Sem uniforme, os agentes não podem desempenhar o patrulhamento de vias públicas nem a proteção do patrimônio municipal. Em vez disso, cumprem expediente na sede da Guarda Municipal, localizada na Avenida San Martin.

De acordo com relatos de servidores, a rotina é marcada por longos períodos de espera. Após registrarem presença, muitos permanecem nas dependências da instituição conversando ou realizando atividades recreativas enquanto aguardam uma solução para o problema.

Um dos guardas, que preferiu não ser identificado, afirmou que a situação gera grande frustração.

"É como se eu estivesse preso. Não posso sair daqui durante metade do dia e não consigo exercer a função para a qual fui contratado."

Comando afirma que há atividades internas

O comandante de Operações da Guarda Municipal, coronel Cristovam Pinheiro, nega que os agentes estejam completamente ociosos.

Segundo ele, parte dos guardas participa de cursos de capacitação e treinamentos internos que poderão ser úteis quando retornarem às atividades operacionais. Além disso, alguns servidores foram direcionados para unidades assistenciais da prefeitura, onde, por questões de segurança, o uso do uniforme nem sempre é recomendado.

Guardas relatam preocupação e insegurança

Entre os agentes afetados, o receio de sofrer represálias faz com que poucos aceitem falar publicamente sobre o assunto.

Um dos profissionais revelou que familiares e vizinhos frequentemente perguntam por que ele ainda não recebeu o uniforme.

Outro guarda informou que concluiu o curso de formação em setembro, com disciplinas voltadas para direitos humanos e segurança urbana, mas ainda não conseguiu exercer plenamente suas funções.

Em algumas ocasiões, segundo ele, foi orientado a trabalhar utilizando apenas calça jeans, camisa branca e tênis.

Falta de estrutura agrava a situação

Os guardas também relatam que a sede da corporação possui estrutura limitada. Não há academia nem espaço adequado para atividades físicas, o que dificulta a manutenção do preparo físico exigido pela profissão.

Além disso, os servidores não podem deixar o local durante o expediente, sob risco de terem o dia de trabalho descontado.

Atraso na entrega dos uniformes

O coronel Cristovam Pinheiro reconheceu que a ausência dos uniformes compromete significativamente a atuação da Guarda Municipal.

Segundo ele, a empresa responsável pelo fornecimento informou que enfrentou dificuldades para obter matéria-prima, causando atraso na produção e na entrega dos equipamentos.

O comandante explicou ainda que a Guarda Municipal não pode cobrar diretamente a empresa, pois a contratação foi realizada por meio de processo licitatório conduzido pela administração municipal.

Empresa venceu licitação da Prefeitura

A empresa Central de Negócios Comércio Ltda. foi a vencedora da licitação para fornecer o fardamento da Guarda Municipal de Salvador.

O contrato prevê o fornecimento de diversos itens, entre eles:

  • 1.400 camisas operacionais masculinas;
  • 1.400 calças operacionais masculinas;
  • 600 conjuntos femininos;
  • 2.000 camisetas básicas;
  • 2.200 cintos operacionais.

Outros acessórios ficaram sob responsabilidade da empresa Asserv Empreendimentos Comerciais, vencedora de lotes complementares da licitação.

Situação preocupa

Enquanto os novos uniformes não são entregues, centenas de guardas municipais permanecem afastados das atividades de patrulhamento, reduzindo a capacidade operacional da corporação e impactando diretamente a prestação de serviços de segurança e proteção ao patrimônio público em Salvador.

 

 



Postar um comentário

0 Comentários