Guardas de Guarulhos denunciam perseguições

Lucas Sanches e Guarda civil


Guardas Municipais de Guarulhos denunciam perseguições e cobram que promessas de campanha sejam cumpridas

A crise entre a Guarda Civil Municipal (GCM) de Guarulhos e a administração do prefeito Lucas Sanches atingiu um novo patamar. O que começou como uma mobilização por valorização profissional agora é acompanhado por denúncias de perseguição administrativa, transferências consideradas arbitrárias e um crescente clima de tensão dentro da corporação.

Segundo representantes da categoria, aproximadamente 50 guardas municipais, incluindo lideranças que participaram das mobilizações, foram transferidos de suas unidades de trabalho e tiveram seus horários alterados logo após os protestos realizados em defesa dos direitos da categoria. Para os servidores, as mudanças não apresentam justificativas técnicas ou operacionais convincentes e seriam uma forma de intimidar aqueles que decidiram cobrar publicamente melhores condições de trabalho.

Caso essas denúncias sejam confirmadas, o episódio representa uma grave afronta ao direito constitucional de manifestação dos servidores públicos e pode criar um ambiente de medo dentro de uma das instituições mais importantes para a segurança da população.

Promessas de campanha em contraste com a realidade

Durante a campanha eleitoral, Lucas Sanches apresentou propostas voltadas ao fortalecimento da Guarda Civil Municipal. Entre elas estavam o reforço da GCM, ampliação da presença dos agentes nas ruas, investimentos em estrutura, equipamentos, tecnologia e valorização da segurança municipal. Essas propostas constam em seu plano de governo.

Passados os primeiros meses de gestão, muitos guardas afirmam que a expectativa criada durante a campanha deu lugar à frustração. Segundo a categoria, em vez de valorização, os servidores enfrentam falta de diálogo, indefinições sobre avanços de carreira e um reajuste salarial de apenas 2%, percentual considerado insuficiente diante da inflação e das perdas acumuladas.

Reivindicações permanecem sem solução

Entre as principais reivindicações apresentadas pelos guardas estão:

  • valorização salarial;
  • cumprimento dos avanços de carreira já previstos;
  • melhores condições de trabalho;
  • revisão das transferências consideradas punitivas;
  • abertura de diálogo efetivo com a categoria;
  • substituição do atual secretário municipal de Segurança.

Os guardas afirmam que não estão pedindo privilégios, mas respeito aos compromissos assumidos e reconhecimento pelo trabalho realizado diariamente em uma das cidades mais populosas do Estado de São Paulo.

Declaração do secretário aumenta indignação

A insatisfação também cresceu após a circulação da informação de que o secretário municipal de Segurança, coronel da Polícia Militar, teria afirmado que os guardas deveriam "trabalhar por vocação e não pelo salário".

A declaração, atribuída ao secretário pelos representantes da categoria, provocou forte reação entre os servidores, que lembram que vocação não paga contas, não sustenta famílias e não substitui a obrigação do poder público de oferecer remuneração justa e condições adequadas de trabalho.

Denúncias de perseguição preocupam categoria

Outro ponto que vem causando indignação são as mudanças repentinas de lotação e de escalas de diversos guardas.

Segundo relatos apresentados pelos representantes da categoria, agentes foram removidos de suas unidades tradicionais e tiveram seus horários alterados sem que houvesse motivo disciplinar ou necessidade operacional claramente apresentada.

Os servidores interpretam essas decisões como possíveis medidas de retaliação contra quem participou das manifestações ou passou a cobrar publicamente o cumprimento das reivindicações.

Até o momento, essas alegações não receberam resposta oficial da administração municipal.

Nova manifestação já tem data

Sem avanços nas negociações, os guardas confirmaram uma nova manifestação e reunião para o dia 1º de julho.

O objetivo é manter a mobilização, cobrar respostas da Prefeitura, exigir abertura de negociação e chamar a atenção da população para a situação enfrentada pelos profissionais responsáveis por parte significativa da segurança pública municipal.

Os organizadores afirmam que o movimento continuará sendo pacífico e que a intenção não é prejudicar a população, mas demonstrar que uma cidade segura depende também da valorização daqueles que trabalham diariamente para protegê-la.

Prefeitura ainda não respondeu

Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Guarulhos ainda não havia divulgado posicionamento oficial sobre as denúncias de perseguição, sobre as transferências apontadas pela categoria nem sobre os pedidos apresentados pelos guardas.

O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal e dos citados, caso desejem apresentar esclarecimentos.

Enquanto isso, cresce a expectativa para o encontro marcado para 1º de julho, quando os servidores esperam que o governo municipal finalmente apresente respostas concretas para uma categoria que afirma estar cansada de promessas e à espera de valorização efetiva.

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